CAVALOS SELVAGENS
Eles correm...
Balançam as crinas aos ventos.
São tantos os meus pensamentos.
Colorem minhas retinas acostumadas a paredes.
Eu já não posso montar.
Mas posso sonhar...
Posso recordar a infância na estância.
Lembrar Constança.
Minha querida, minha amada.
A primeira namorada.
E a última.
Quando ela se foi caí doente.
Os filhos se mudaram e eu aqui neste apartamento.
A moça da limpeza usou um produto que cheira forte.
Meu ser sabe que se aproxima a hora da morte.
Mas eu a rejeito.
Na solidão dou um jeito.
Os cavalos voltam a galopar.
Posso ficar olhando.
Sonhos bons ando sonhando.
No meio deles há um branco.
Era o meu preferido.
Posso sentir o corpo de minha mulher colado ao meu.
Está na garupa...ela grita: Tenho medo, querido.
Penso: de que somos feitos senão de sonhos?
Então... deixem-me sonhar até que a morte venha me buscar...
sonia delsin

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