quinta-feira, 30 de maio de 2013




CAVALOS SELVAGENS

Eles correm...
Balançam as crinas aos ventos.
São tantos os meus pensamentos.

Colorem minhas retinas acostumadas a paredes.
Eu já não posso montar.
Mas posso sonhar...

Posso recordar a infância na estância.
Lembrar Constança.
Minha querida, minha amada.
A primeira namorada.

E a última.
Quando ela se foi caí doente.
Os filhos se mudaram e eu aqui neste apartamento.

A moça da limpeza usou um produto que cheira forte.
Meu ser sabe que se aproxima a hora da morte.

Mas eu a rejeito.
Na solidão dou um jeito.

Os cavalos voltam a galopar.
Posso ficar olhando.
Sonhos bons ando sonhando.

No meio deles há um branco.
Era o meu preferido.
Posso sentir o corpo de minha mulher colado ao meu.
Está na garupa...ela grita: Tenho medo, querido.

Penso: de que somos feitos senão de sonhos?
Então... deixem-me sonhar até que a morte venha me buscar...


sonia delsin 

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